Verbos de Taxonomia de Bloom: tabela completa para objetivos de aprendizagem
- Isadora Souza
- 16 de abr.
- 10 min de leitura
Atualizado: 30 de jun.
Escolher bons verbos para objetivos de aprendizagem parece uma tarefa simples. Até o momento em que você começa a escrever o plano de aula e percebe que tudo vira “compreender”, “conhecer” e “entender”.
E tudo bem. Isso acontece com muita gente.
O problema é que esses verbos, quando usados de forma vaga, nem sempre deixam claro o que o estudante precisa demonstrar.
Afinal, como saber se o aluno realmente “entendeu” alguma coisa? Ele vai explicar? Resolver? Comparar? Criar? Defender uma ideia?
É aí que entram os verbos da Taxonomia de Bloom.
A Taxonomia de Bloom ajuda professores, coordenadores e profissionais da educação a escrever objetivos de aprendizagem mais claros, observáveis e alinhados às atividades e avaliações.
Neste artigo, você verá:
o que é a Taxonomia de Bloom;
quais são os níveis da Taxonomia de Bloom revisada;
uma tabela com verbos por nível cognitivo;
exemplos de objetivos de aprendizagem;
como escolher o verbo certo;
quais verbos evitar;
como alinhar objetivos, atividades e avaliação.
O que é a Taxonomia de Bloom?
A Taxonomia de Bloom é uma classificação dos objetivos educacionais.
Ela ajuda a organizar o que esperamos que os alunos aprendam, façam ou demonstrem ao final de uma aula, atividade, disciplina ou formação.
A proposta original foi publicada em 1956, a partir do trabalho de Benjamin Bloom e colaboradores. O objetivo era criar uma linguagem comum para classificar objetivos de aprendizagem.
De forma simples, a Taxonomia de Bloom funciona como uma escada de complexidade.
Nos primeiros degraus, estão ações mais simples, como lembrar e reconhecer informações. Nos níveis mais altos, estão ações mais complexas, como analisar, avaliar e criar.
Isso não significa que toda aula precisa começar no nível mais básico e terminar no mais complexo.
Mas significa que o professor pode usar a taxonomia para planejar melhor o percurso de aprendizagem.
Para que servem os verbos da Taxonomia de Bloom?
Os verbos da Taxonomia de Bloom servem para deixar os objetivos de aprendizagem mais claros e observáveis.
Na prática, eles ajudam a responder a uma pergunta essencial:
O que o aluno será capaz de fazer ao final dessa experiência de aprendizagem?
Veja a diferença:
Objetivo pouco claro:
Ao final da aula, o aluno deverá compreender a fotossíntese.
Objetivo mais claro:
Ao final da aula, o aluno deverá explicar o processo de fotossíntese e relacionar suas etapas à produção de energia pelas plantas.
Percebe a diferença?
No primeiro exemplo, “compreender” é amplo demais. No segundo, os verbos “explicar” e “relacionar” indicam ações que podem ser observadas, discutidas e avaliadas.
Em outras palavras: o verbo ajuda o professor a sair da intenção genérica e chegar a uma evidência concreta de aprendizagem.
Taxonomia de Bloom revisada: quais são os seis níveis?
Em 2001, Lorin Anderson e David Krathwohl publicaram uma revisão da Taxonomia de Bloom. Uma das principais mudanças foi a troca de substantivos por verbos.

A mudança parece pequena, mas é muito importante. Ao usar verbos, a taxonomia aproxima o planejamento da ação do estudante.
Em vez de pensar apenas em “conhecimento” ou “compreensão”, o professor passa a pensar no que o aluno fará com esse conhecimento.
Quer ter essa tabela sempre à mão e ainda aplicar os verbos no seu planejamento? Baixe o Mini Kit gratuito da Start Educação com tabela de verbos, checklist para escrever objetivos de aprendizagem, modelo de plano de aula e matriz de alinhamento entre objetivo, atividade e avaliação.
Tabela de verbos da Taxonomia de Bloom revisada
A tabela abaixo apresenta exemplos de verbos para cada nível da Taxonomia de Bloom revisada.
Use esta lista como apoio para escrever objetivos de aprendizagem, planejar atividades e elaborar avaliações.

A imagem acima mostra os verbos organizados em uma progressão cognitiva: dos níveis mais básicos, como memorizar, até os níveis mais complexos, como avaliar e criar.
Mas atenção: a escolha do verbo deve considerar o contexto da atividade e o que o aluno realmente precisa demonstrar.
O mesmo verbo pode ter sentidos diferentes dependendo do contexto, da atividade e da forma de avaliação.
Por exemplo, o verbo “explicar” pode aparecer em uma atividade simples, quando o aluno apenas repete com suas palavras um conceito estudado.
Mas também pode aparecer em uma atividade mais complexa, quando ele precisa explicar relações entre fenômenos, defender uma interpretação ou justificar uma decisão.
Por isso, além do verbo, observe sempre o nível de complexidade da tarefa.
1. Lembrar
O nível “lembrar” envolve recuperar informações, conceitos, fatos ou procedimentos já estudados.
É o nível mais básico da Taxonomia de Bloom, mas isso não quer dizer que seja irrelevante. Nenhum estudante analisa bem aquilo que nem conseguiu identificar ainda.
Verbos úteis:
listar;
identificar;
reconhecer;
nomear;
citar;
recordar;
localizar;
definir;
selecionar;
reproduzir.
Exemplo de objetivo:
Ao final da aula, o aluno deverá identificar os principais elementos de uma notícia jornalística.
Exemplos de atividades:
quiz rápido;
jogo de associação;
lista de conceitos;
cartões de revisão;
atividade de verdadeiro ou falso.
2. Entender
O nível “entender” envolve construir sentido a partir de uma informação.
Aqui, o aluno não apenas repete. Ele explica, resume, interpreta, compara ou exemplifica uma ideia.
Verbos úteis:
explicar;
descrever;
resumir;
interpretar;
classificar;
comparar;
exemplificar;
discutir;
reformular;
inferir.
Exemplo de objetivo:
Ao final da aula, o aluno deverá explicar, com suas próprias palavras, a diferença entre clima e tempo atmosférico.
Exemplos de atividades:
resumo em dupla;
mapa conceitual;
explicação oral;
comparação entre conceitos;
elaboração de exemplos.
3. Aplicar
O nível “aplicar” envolve usar o conhecimento em uma situação prática.
Aqui, o aluno precisa mobilizar o que aprendeu para resolver uma questão, executar um procedimento ou lidar com um problema.
Verbos úteis:
aplicar;
resolver;
demonstrar;
utilizar;
executar;
calcular;
implementar;
praticar;
empregar;
simular.
Exemplo de objetivo:
Ao final da aula, o aluno deverá resolver problemas envolvendo porcentagem em situações de compra e desconto.
Exemplos de atividades:
resolução de problemas;
estudo de caso;
simulação;
exercício prático;
aplicação de fórmula ou procedimento.
4. Analisar
O nível “analisar” envolve separar informações em partes, identificar relações, comparar elementos e compreender estruturas.
É quando o aluno deixa de olhar apenas para “o que é” e começa a investigar “como se organiza”, “por que acontece” e “quais relações existem”.
Verbos úteis:
analisar;
comparar;
diferenciar;
organizar;
categorizar;
investigar;
examinar;
distinguir;
relacionar;
decompor.
Exemplo de objetivo:
Ao final da aula, o aluno deverá comparar diferentes argumentos presentes em um texto de opinião.
Exemplos de atividades:
análise de texto;
comparação de casos;
leitura crítica;
organização de categorias;
análise de dados, gráficos ou situações-problema.
5. Avaliar
O nível “avaliar” envolve fazer julgamentos com base em critérios.
Aqui, o aluno precisa defender uma posição, justificar uma escolha, verificar a qualidade de uma solução ou argumentar a favor de uma decisão.
Verbos úteis:
avaliar;
justificar;
criticar;
defender;
argumentar;
verificar;
julgar;
escolher;
recomendar;
validar.
Exemplo de objetivo:
Ao final da aula, o aluno deverá avaliar diferentes propostas de solução para um problema ambiental, justificando sua escolha com base em critérios previamente definidos.
Exemplos de atividades:
debate;
parecer crítico;
análise de proposta;
avaliação por rubrica;
defesa de ponto de vista.
6. Criar
O nível “criar” envolve produzir algo novo, reorganizar elementos ou desenvolver uma proposta original.
Na Taxonomia de Bloom revisada, “criar” ocupa o nível mais alto da hierarquia cognitiva.
Verbos úteis:
criar;
elaborar;
desenvolver;
planejar;
produzir;
formular;
construir;
propor;
projetar;
inventar.
Exemplo de objetivo:
Ao final da aula, o aluno deverá elaborar uma campanha de conscientização sobre o uso responsável da água na escola.
Exemplos de atividades:
projeto;
protótipo;
campanha;
produção textual;
criação de solução para um problema real.
Como escolher o verbo certo para um objetivo de aprendizagem?
Para escolher o verbo certo, comece pela aprendizagem desejada.
Antes de abrir uma lista de verbos, pergunte:
O que eu quero que o aluno seja capaz de fazer?
Que evidência mostrará que ele aprendeu?
Essa ação pode ser observada?
Essa ação pode ser avaliada?
A atividade proposta permite que o aluno demonstre esse objetivo?
A avaliação está coerente com o verbo escolhido?
Um bom objetivo de aprendizagem costuma ter três elementos:
uma ação observável;
um conteúdo ou conhecimento;
uma condição, contexto ou critério.
Exemplo:
Ao final da aula, o aluno deverá comparar duas estratégias de resolução de problemas, apontando vantagens e limitações de cada uma.
Nesse objetivo:
“comparar” é a ação;
“duas estratégias de resolução de problemas” é o conteúdo;
“apontando vantagens e limitações” é o critério esperado.
Quer aprofundar esse passo a passo? Assista à videoaula da Start Educação sobre como escrever objetivos de aprendizagem a partir da Taxonomia de Bloom.
Exemplos de objetivos de aprendizagem com a Taxonomia de Bloom

Observe que o tema pode ser o mesmo, mas o nível cognitivo muda conforme a ação esperada do estudante.
Como alinhar objetivos, atividades e avaliação
Um dos usos mais importantes da Taxonomia de Bloom é ajudar o professor a alinhar três elementos do planejamento:
objetivo de aprendizagem;
atividade ou metodologia;
avaliação da aprendizagem.
Esse alinhamento evita um erro muito comum: escrever um objetivo complexo, propor uma atividade simples e aplicar uma avaliação que mede outra coisa.
Veja um exemplo:
Objetivo:
O aluno deverá argumentar sobre os impactos do uso excessivo de plástico no meio ambiente.
Atividade coerente:
Leitura de diferentes fontes, discussão em grupo e construção de argumentos.
Avaliação coerente:
Produção de um texto argumentativo, debate ou apresentação com critérios claros.
Agora veja um desalinhamento:
Objetivo:
O aluno deverá argumentar sobre os impactos do uso excessivo de plástico no meio ambiente.
Avaliação desalinhada:
Prova com perguntas apenas de memorização, como “o que é plástico?”.
Nesse caso, a avaliação não verifica a argumentação. Ela verifica apenas lembrança de informações.
Por isso, ao planejar uma aula, vale fazer uma checagem simples:
Se o objetivo pede “analisar”, a atividade permite análise?
Se o objetivo pede “criar”, a avaliação permite criação?
Se o objetivo pede “avaliar”, existem critérios para o aluno justificar sua decisão?
Se a resposta for não, talvez o problema não esteja no aluno. Pode estar no alinhamento do planejamento.
Verbos que devem ser evitados em objetivos de aprendizagem
Alguns verbos são muito usados em objetivos educacionais, mas podem deixar o planejamento pouco claro.
Evite usar, de forma isolada, verbos como:
compreender;
entender;
saber;
conhecer;
aprender;
perceber;
familiarizar-se;
ter consciência de.
Esses verbos não são proibidos. O problema é que, sozinhos, eles não indicam como o aluno demonstrará a aprendizagem.
Em vez de escrever:
O aluno deverá compreender os impactos da Revolução Industrial.
Prefira:
O aluno deverá explicar os principais impactos da Revolução Industrial nas condições de trabalho da época.
Ou:
O aluno deverá comparar mudanças sociais e econômicas provocadas pela Revolução Industrial.
Ou ainda:
O aluno deverá avaliar consequências da Revolução Industrial a partir de diferentes fontes históricas.
Perceba que os verbos “explicar”, “comparar” e “avaliar” ajudam a tornar a aprendizagem mais visível.
Domínios da Taxonomia de Bloom: cognitivo, afetivo e psicomotor
Embora muitas pessoas conheçam a Taxonomia de Bloom pelo domínio cognitivo, a aprendizagem não acontece apenas no campo das ideias.
Ela também envolve atitudes, valores, emoções, habilidades e movimentos.
Por isso, a aprendizagem pode ser observada em três grandes domínios:

Domínio cognitivo
Está relacionado aos processos mentais, como lembrar, entender, aplicar, analisar, avaliar e criar.
É o domínio mais usado no planejamento de objetivos de aprendizagem em sala de aula.
Domínio afetivo
Está relacionado a atitudes, valores, interesses, participação, abertura e posicionamento do estudante diante de uma situação.
Pode aparecer em objetivos ligados à colaboração, escuta, respeito, responsabilidade e valorização de diferentes perspectivas.
Domínio psicomotor
Está relacionado a movimentos, procedimentos, habilidades práticas e execução de ações.
É muito usado em áreas como educação física, artes, saúde, laboratórios, oficinas, atividades manuais e formação técnica.
Na prática docente, esses domínios podem se misturar.
Uma atividade em grupo, por exemplo, pode envolver raciocínio cognitivo, postura colaborativa e habilidades práticas.
Como usar a Taxonomia de Bloom no planejamento de aula
Para usar a Taxonomia de Bloom no planejamento de aula, siga este passo a passo:
Defina o que o aluno precisa aprender.
Escolha o nível cognitivo mais adequado.
Selecione um verbo observável.
Escreva o objetivo de aprendizagem.
Escolha uma atividade coerente com o objetivo.
Defina como a aprendizagem será avaliada.
Revise se objetivo, atividade e avaliação estão alinhados.
Exemplo prático:

Taxonomia de Bloom e metodologias ativas
A Taxonomia de Bloom também combina muito bem com metodologias ativas.
Isso acontece porque metodologias ativas convidam o estudante a participar mais do processo de aprendizagem.
Em vez de apenas ouvir e repetir, ele precisa investigar, discutir, aplicar, analisar, decidir e criar.
Alguns exemplos:
em uma aprendizagem baseada em problemas, o aluno pode analisar uma situação, levantar hipóteses e propor soluções;
em um estudo de caso, pode comparar alternativas e justificar decisões;
em um projeto, pode criar um produto, intervenção ou apresentação;
em uma sala de aula invertida, pode estudar conceitos antes e usar o tempo de aula para aplicar, discutir e resolver problemas.
Ou seja: os verbos da Taxonomia de Bloom ajudam o professor a transformar metodologias ativas em experiências de aprendizagem mais intencionais.
Se você quer aprofundar esse caminho, acesse também o material gratuito sobre Aprendizagem Baseada em Problemas da Start Educação.
Baixe um recurso gratuito para planejar suas aulas
Agora que você já viu como usar os verbos da Taxonomia de Bloom, o próximo passo é transformar esses objetivos em um plano de aula claro.
Para isso, você pode acessar os recursos educacionais gratuitos da Start Educação.
Lá você encontra materiais para apoiar seu planejamento, como modelos e ferramentas para organizar objetivos, atividades e avaliação.
Acesse a página de recursos educacionais gratuitos e escolha o material que mais combina com o seu momento de planejamento.
Perguntas frequentes sobre verbos da Taxonomia de Bloom
Quais são os verbos da Taxonomia de Bloom mais usados?
Alguns verbos muito usados são listar, identificar, explicar, comparar, aplicar, resolver, analisar, avaliar, justificar, criar e elaborar. A escolha depende do nível cognitivo esperado.
Como usar os verbos da Taxonomia de Bloom em objetivos de aprendizagem?
Use um verbo que indique uma ação observável do estudante. Depois, complete o objetivo com o conteúdo e o contexto em que essa aprendizagem será demonstrada.
Qual é a diferença entre a Taxonomia de Bloom original e a revisada?
A versão original usava substantivos, como conhecimento, compreensão, aplicação, análise, síntese e avaliação. A versão revisada passou a usar verbos: lembrar, entender, aplicar, analisar, avaliar e criar.
Quais verbos evitar em objetivos de aprendizagem?
Evite verbos vagos, como saber, compreender, entender, conhecer e aprender, quando eles não deixam claro como o aluno demonstrará a aprendizagem.
A Taxonomia de Bloom serve para qualquer etapa de ensino?
Sim. Ela pode ser adaptada para educação infantil, ensino fundamental, ensino médio, ensino superior, pós-graduação, cursos livres e formação profissional.
O importante é adequar o nível de complexidade ao desenvolvimento dos estudantes.
Conclusão
Os verbos da Taxonomia de Bloom ajudam o professor a transformar intenções pedagógicas em objetivos mais claros, observáveis e avaliáveis.
Mais do que escolher uma palavra bonita para o plano de aula, usar bons verbos significa planejar com mais intencionalidade.
Quando o objetivo é claro, fica mais fácil escolher a metodologia. Quando a metodologia está alinhada, fica mais fácil avaliar. E quando tudo conversa entre si, o estudante entende melhor o que precisa aprender e como poderá demonstrar essa aprendizagem.
No fim, a Taxonomia de Bloom não serve para complicar o planejamento.
Ela serve para fazer uma pergunta simples, mas poderosa:
O que eu quero que meu aluno seja capaz de fazer com aquilo que aprendeu?
Se essa pergunta estiver clara, o planejamento fica muito mais forte.

Referências
BLOOM, B. S. et al. Taxonomy of educational objectives. New York: David McKay, 1956.
ANDERSON, L. W.; KRATHWOHL, D. R. A taxonomy for learning, teaching, and assessing: a revision of Bloom’s taxonomy of educational objectives. New York: Longman, 2001.
FERRAZ, A. P. C. M.; BELHOT, R. V. Taxonomia de Bloom: revisão teórica e apresentação das adequações do instrumento para definição de objetivos instrucionais. Gestão & Produção, São Carlos, v. 17, n. 2, p. 421-431, 2010.
KRATHWOHL, D. R. A revision of Bloom's Taxonomy: an overview. Theory Into Practice, v. 41, n. 4, p. 212-218, 2002.