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Isadora Souza

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Como fazer um Plano de Aula e Ensino: passo a passo completo, simples e com metodologias ativas

Atualizado: há 3 dias

Planejar aulas é uma daquelas tarefas que todo professor sabe que são importantes… mas que nem sempre são simples.


Entre prazos, turmas diferentes, demandas institucionais e a vida acontecendo, montar um plano de aula ou um plano de ensino pode facilmente virar algo burocrático — quando, na verdade, deveria ser um aliado do nosso trabalho.


Muitos professores chegam até aqui buscando algo bem direto: como fazer um plano de aula que seja simples, funcional e que realmente ajude na prática — e não apenas mais um documento burocrático para cumprir exigências institucionais.


Ao longo deste artigo, vamos conversar justamente sobre isso, conectando teoria, prática e decisões pedagógicas do dia a dia docente.


Conteúdo deste guia:



Plano de ensino e plano de aula: qual é a diferença, afinal?


Pensa assim:

o plano de ensino é o olhar panorâmico da disciplina. Ele organiza o caminho formativo ao longo do semestre ou do ano. Já o plano de aula é o recorte desse caminho, aquilo que vai acontecer, de fato, em cada encontro com os estudantes.


Enquanto o plano de ensino trabalha no nível macro, definindo objetivos gerais, conteúdos, metodologias e critérios de avaliação, o plano de aula opera no nível micro, detalhando como tudo isso se materializa em uma aula específica ou em um conjunto de aulas.


Um não substitui o outro. Pelo contrário: eles se complementam.


fundo azul aquarelado com letras na cor preta descrevendo como fazer um plano de aula e de ensino passo a passo completo e fácil


Plano de Ensino: por onde começar?


Sempre que vamos iniciar uma disciplina, o ponto de partida é o plano de ensino. É ele que dá coerência ao processo pedagógico e ajuda o professor a não se perder ao longo do percurso.


Um bom plano de ensino é:

  • Flexível

  • Dialógico

  • Centrado no estudante

  • Aberto a ajustes


Como já defendia Paulo Freire, o processo pedagógico não é uma via de mão única, mas uma construção coletiva entre educador e educando.


Não se trata aqui de transferir a responsabilidade do professor para o estudante, mas de ouvir o que os estudantes têm a dizer.


Paulo Freire, um senhor de barba e bigode. Barga comprida de cor branca e óculos de lentes bem redondas

Conforme a pedagogia da autonomia de Paulo Freire (2006):

O processo pedagógico é uma relação dialética entre educador e educando, rompe com a visão tradicional do educador como o detentor do saber e o educando como aquele que irá aprender o saber transmitido pelo educador.

Fonte de Imagem: Wikipedia


Na prática, o plano de ensino precisa responder a algumas perguntas fundamentais, que ajudam a organizar nossas escolhas pedagógicas.


Perguntas que orientam a construção do plano de ensino


Ao elaborar o plano de ensino, vale refletir com calma sobre:


  • O que será ensinado?

  • Para quem esse conteúdo faz sentido?

  • Para que ensinar isso neste momento da formação?

  • Quando esses conteúdos serão trabalhados?

  • Como eles serão abordados?

  • Quais estratégias e metodologias serão utilizadas?

  • Quais recursos didáticos e tecnológicos podem apoiar esse processo?

  • Como a aprendizagem será avaliada?


Essas perguntas ajudam o professor a sair do improviso e a planejar com intencionalidade.


O que não pode faltar em um plano de ensino


Embora cada instituição tenha suas especificidades, alguns elementos são praticamente indispensáveis em um plano de ensino bem estruturado:


  1. Identificação da disciplina e do curso

  2. Ementa, como uma visão geral do que será trabalhado

  3. Objetivos gerais e específicos

  4. Conteúdo programático

  5. Estratégias metodológicas (preferencialmente metodologias ativas)

  6. Critérios e instrumentos de avaliação

  7. Cronograma das aulas

  8. Bibliografia básica e complementar


Mais do que cumprir um modelo, o importante é que esses itens façam sentido entre si e estejam alinhados aos objetivos formativos dos estudantes.


imagem de um infografico circular com oito etapas de um plano de ensino inicia com identificação, ementa, objetivos, conteúdo programático, estratégias educacionais com metodologia ativa

O plano de ensino como percurso de aprendizagem


Quando falamos em aprendizagem centrada no estudante, estamos falando de construir um itinerário pedagógico que dialogue com as experiências, os saberes prévios e a realidade dos alunos.


Por isso, o plano de ensino precisa prever estratégias diversificadas: debates, estudos de caso, projetos, leitura orientada, atividades em grupo, uso de vídeos, portfólios reflexivos e outras metodologias ativas que estimulem o protagonismo discente.


🔄 Falamos bastante em metodologias ativas por aqui…

Se você ainda quer entender melhor o que são metodologias ativas, como elas funcionam e ver exemplos práticos para aplicar nas aulas, vale a leitura de um guia rápido que preparamos sobre o tema.




E o plano de aula, onde entra nessa história?


Se o plano de ensino é o mapa, o plano de aula é o roteiro detalhado de cada etapa da viagem.


É no plano de aula que o professor organiza o que vai acontecer em um encontro específico: quais objetivos serão trabalhados, quais atividades serão propostas, quais recursos serão usados e como a aprendizagem será acompanhada naquele momento.


O plano de aula transforma o planejamento geral em ações concretas, possíveis e ajustadas à realidade da turma.


Pensando o plano de aula com mais intenção pedagógica


Ao planejar uma aula, não estamos apenas escolhendo conteúdos, mas definindo experiências de aprendizagem. Esses conteúdos podem envolver diferentes dimensões:


  • Conceituais:

    • Envolvem fatos, conceitos e princípios (teoria e princípios);

    • Apreensão de conhecimento;

    • Significado do saber sem si; compreender; saber o que é.


  • Procedimentais:

    • Envolvem procedimentos, ou seja, a ação do saber fazer;

    • Procedimento que o estudante vai ter diante do conteúdo;

    • Praticar; saber como fazer.


  • Atitudinais:

    • Envolvem abordagem de valores normais e atitudes;

    • Atitude que vai passar a ter em relação ao conteúdo;

    • Posicionamento; opinião; saber ser; saber escolher.


O que considerar na hora de planejar uma aula


No livro "Diálogos com Docentes sobre Ensino Remoto e Planejamento Didático" (2020) estimula-se a reflexão sobre os seguintes itens no momento do planejamento:


Perfil dos estudantes

Quem são esses alunos? Quais expectativas eles trazem? Que conhecimentos prévios possuem? Considerar esses aspectos evita aulas desconectadas da realidade da turma.


Conteúdo da aula

Qual é o tema central? O que realmente precisa ser priorizado nesse encontro? Nem sempre menos conteúdo significa menos aprendizagem.


Objetivos de aprendizagem

O que você espera que os estudantes aprendam ou desenvolvam ao final da aula? Objetivos claros ajudam a dar foco às escolhas metodológicas.


✍️ Um apoio rápido para definir objetivos melhores:

Se você já ficou em dúvida na hora de escrever os objetivos da aula, usar os verbos da Taxonomia de Bloom Revisada pode facilitar (e muito) esse processo. Eles ajudam a deixar claro o que o estudante realmente vai aprender.



Competências

Que habilidades e atitudes você deseja estimular? Pensar em competências amplia o olhar para além do conteúdo em si.


Metodologia

Quais estratégias podem favorecer a participação ativa dos estudantes? Como provocar reflexão, diálogo e construção coletiva do conhecimento?


Recursos didáticos e tecnológicos

Vídeos, textos, jogos, quizzes, recursos digitais, materiais físicos… tudo isso precisa estar a serviço do objetivo da aula, e não o contrário.


💡 Dica prática entre professores:

Se você sente que sempre acaba recorrendo aos mesmos recursos nas aulas, vale conhecer uma lista com 10 recursos educacionais digitais que ajudam a diversificar estratégias, aumentar o engajamento e facilitar o planejamento — inclusive para aulas online e híbridas.



Avaliação

Como acompanhar a aprendizagem? Vale diversificar instrumentos e incentivar a autoavaliação e a avaliação do processo como um todo.


Estrutura básica de um plano de aula


De forma geral, um plano de aula pode conter:


  1. Identificação da aula

  2. Objetivos educacionais

  3. Conteúdos

  4. Estratégias metodológicas

  5. Recursos didáticos

  6. Critérios e instrumentos de avaliação

  7. Referências


ciclo com etapas do plano de aula

Não é sobre preencher campos, mas sobre ter clareza das escolhas pedagógicas que orientam aquela aula.


Perguntas frequentes sobre plano de aula e plano de ensino (FAQ)


Qual é a diferença entre plano de aula e plano de ensino?

A diferença entre plano de aula e plano de ensino está no nível de planejamento:

  • Plano de ensino: organiza a disciplina no semestre ou ano (visão macro).

  • Plano de aula: detalha o que acontece em uma aula específica (visão micro).Ambos se complementam e devem estar alinhados.


Como fazer um plano de aula simples e eficiente?

Para fazer um plano de aula simples e eficiente:

  1. Defina o objetivo de aprendizagem.

  2. Selecione os conteúdos essenciais.

  3. Escolha a metodologia (de preferência ativa).

  4. Liste os recursos didáticos.

  5. Planeje como avaliar a aprendizagem.

Foque no essencial e evite excesso de burocracia.


É possível usar metodologias ativas no plano de aula?

Sim. Para usar metodologias ativas no plano de aula:

  • Escolha um objetivo claro.

  • Defina uma estratégia ativa (ex.: estudo de caso, PBL, sala invertida).

  • Coloque o estudante no centro da atividade.

  • Utilize avaliação formativa ao longo do processo.Isso aumenta engajamento e aprendizagem significativa.


O plano de aula precisa ser seguido à risca?

Não. O plano de aula deve:

  • Orientar o professor.

  • Organizar o tempo e as atividades.

  • Permitir ajustes conforme o ritmo da turma.Ele é um guia flexível, não um roteiro engessado.


 Quer facilitar seu planejamento de aulas?


Quando o professor conta com boas ferramentas, referências claras e modelos flexíveis, o planejamento deixa de ser um peso e passa a ser um aliado da prática pedagógica — ajudando a ensinar melhor e a aprender junto com os estudantes.


Se você chegou até aqui, é porque se importa com o que acontece em sala de aula. E isso, por si só, já diz muito sobre o tipo de professor que você é.


Pensando nisso, preparei um material gratuito com modelos prontos de plano de aula e plano de ensino, já estruturados com metodologias ativas, para te ajudar a planejar com mais clareza e menos esforço.



Referências:

Reis FJC dos, Panúncio-Pinto MP, Vieira MNCM. Planejamento educacional. Medicina (Ribeirão Preto) [Internet]. 3 de novembro de 2014 [citado 10 de outubro de 2022];47(3):280-3. Disponível em: https://www.revistas.usp.br/rmrp/article/view/86616.


Oliveira MSL, et al. Diálogos com docentes sobre ensino remoto e planejamento didático. Recife: EDUFRPE, 2020.




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