Como fazer um Plano de Aula e Ensino: passo a passo completo, simples e com metodologias ativas
- Isadora Souza

- há 7 dias
- 7 min de leitura
Atualizado: há 3 dias
Planejar aulas é uma daquelas tarefas que todo professor sabe que são importantes… mas que nem sempre são simples.
Entre prazos, turmas diferentes, demandas institucionais e a vida acontecendo, montar um plano de aula ou um plano de ensino pode facilmente virar algo burocrático — quando, na verdade, deveria ser um aliado do nosso trabalho.
Muitos professores chegam até aqui buscando algo bem direto: como fazer um plano de aula que seja simples, funcional e que realmente ajude na prática — e não apenas mais um documento burocrático para cumprir exigências institucionais.
Ao longo deste artigo, vamos conversar justamente sobre isso, conectando teoria, prática e decisões pedagógicas do dia a dia docente.
Conteúdo deste guia:
Plano de ensino e plano de aula: qual é a diferença, afinal?
Pensa assim:
o plano de ensino é o olhar panorâmico da disciplina. Ele organiza o caminho formativo ao longo do semestre ou do ano. Já o plano de aula é o recorte desse caminho, aquilo que vai acontecer, de fato, em cada encontro com os estudantes.
Enquanto o plano de ensino trabalha no nível macro, definindo objetivos gerais, conteúdos, metodologias e critérios de avaliação, o plano de aula opera no nível micro, detalhando como tudo isso se materializa em uma aula específica ou em um conjunto de aulas.
Um não substitui o outro. Pelo contrário: eles se complementam.

Plano de Ensino: por onde começar?
Sempre que vamos iniciar uma disciplina, o ponto de partida é o plano de ensino. É ele que dá coerência ao processo pedagógico e ajuda o professor a não se perder ao longo do percurso.
Um bom plano de ensino é:
Flexível
Dialógico
Centrado no estudante
Aberto a ajustes
Como já defendia Paulo Freire, o processo pedagógico não é uma via de mão única, mas uma construção coletiva entre educador e educando.
Não se trata aqui de transferir a responsabilidade do professor para o estudante, mas de ouvir o que os estudantes têm a dizer.

Conforme a pedagogia da autonomia de Paulo Freire (2006):
O processo pedagógico é uma relação dialética entre educador e educando, rompe com a visão tradicional do educador como o detentor do saber e o educando como aquele que irá aprender o saber transmitido pelo educador.
Fonte de Imagem: Wikipedia
Na prática, o plano de ensino precisa responder a algumas perguntas fundamentais, que ajudam a organizar nossas escolhas pedagógicas.
Perguntas que orientam a construção do plano de ensino
Ao elaborar o plano de ensino, vale refletir com calma sobre:
O que será ensinado?
Para quem esse conteúdo faz sentido?
Para que ensinar isso neste momento da formação?
Quando esses conteúdos serão trabalhados?
Como eles serão abordados?
Quais estratégias e metodologias serão utilizadas?
Quais recursos didáticos e tecnológicos podem apoiar esse processo?
Como a aprendizagem será avaliada?
Essas perguntas ajudam o professor a sair do improviso e a planejar com intencionalidade.
O que não pode faltar em um plano de ensino
Embora cada instituição tenha suas especificidades, alguns elementos são praticamente indispensáveis em um plano de ensino bem estruturado:
Identificação da disciplina e do curso
Ementa, como uma visão geral do que será trabalhado
Objetivos gerais e específicos
Conteúdo programático
Estratégias metodológicas (preferencialmente metodologias ativas)
Critérios e instrumentos de avaliação
Cronograma das aulas
Bibliografia básica e complementar
Mais do que cumprir um modelo, o importante é que esses itens façam sentido entre si e estejam alinhados aos objetivos formativos dos estudantes.

O plano de ensino como percurso de aprendizagem
Quando falamos em aprendizagem centrada no estudante, estamos falando de construir um itinerário pedagógico que dialogue com as experiências, os saberes prévios e a realidade dos alunos.
Por isso, o plano de ensino precisa prever estratégias diversificadas: debates, estudos de caso, projetos, leitura orientada, atividades em grupo, uso de vídeos, portfólios reflexivos e outras metodologias ativas que estimulem o protagonismo discente.
🔄 Falamos bastante em metodologias ativas por aqui…
Se você ainda quer entender melhor o que são metodologias ativas, como elas funcionam e ver exemplos práticos para aplicar nas aulas, vale a leitura de um guia rápido que preparamos sobre o tema.
E o plano de aula, onde entra nessa história?
Se o plano de ensino é o mapa, o plano de aula é o roteiro detalhado de cada etapa da viagem.
É no plano de aula que o professor organiza o que vai acontecer em um encontro específico: quais objetivos serão trabalhados, quais atividades serão propostas, quais recursos serão usados e como a aprendizagem será acompanhada naquele momento.
O plano de aula transforma o planejamento geral em ações concretas, possíveis e ajustadas à realidade da turma.
Pensando o plano de aula com mais intenção pedagógica
Ao planejar uma aula, não estamos apenas escolhendo conteúdos, mas definindo experiências de aprendizagem. Esses conteúdos podem envolver diferentes dimensões:
Conceituais:
Envolvem fatos, conceitos e princípios (teoria e princípios);
Apreensão de conhecimento;
Significado do saber sem si; compreender; saber o que é.
Procedimentais:
Envolvem procedimentos, ou seja, a ação do saber fazer;
Procedimento que o estudante vai ter diante do conteúdo;
Praticar; saber como fazer.
Atitudinais:
Envolvem abordagem de valores normais e atitudes;
Atitude que vai passar a ter em relação ao conteúdo;
Posicionamento; opinião; saber ser; saber escolher.
O que considerar na hora de planejar uma aula
No livro "Diálogos com Docentes sobre Ensino Remoto e Planejamento Didático" (2020) estimula-se a reflexão sobre os seguintes itens no momento do planejamento:
Perfil dos estudantes
Quem são esses alunos? Quais expectativas eles trazem? Que conhecimentos prévios possuem? Considerar esses aspectos evita aulas desconectadas da realidade da turma.
Conteúdo da aula
Qual é o tema central? O que realmente precisa ser priorizado nesse encontro? Nem sempre menos conteúdo significa menos aprendizagem.
Objetivos de aprendizagem
O que você espera que os estudantes aprendam ou desenvolvam ao final da aula? Objetivos claros ajudam a dar foco às escolhas metodológicas.
✍️ Um apoio rápido para definir objetivos melhores:
Se você já ficou em dúvida na hora de escrever os objetivos da aula, usar os verbos da Taxonomia de Bloom Revisada pode facilitar (e muito) esse processo. Eles ajudam a deixar claro o que o estudante realmente vai aprender.
Competências
Que habilidades e atitudes você deseja estimular? Pensar em competências amplia o olhar para além do conteúdo em si.
Metodologia
Quais estratégias podem favorecer a participação ativa dos estudantes? Como provocar reflexão, diálogo e construção coletiva do conhecimento?
Recursos didáticos e tecnológicos
Vídeos, textos, jogos, quizzes, recursos digitais, materiais físicos… tudo isso precisa estar a serviço do objetivo da aula, e não o contrário.
💡 Dica prática entre professores:
Se você sente que sempre acaba recorrendo aos mesmos recursos nas aulas, vale conhecer uma lista com 10 recursos educacionais digitais que ajudam a diversificar estratégias, aumentar o engajamento e facilitar o planejamento — inclusive para aulas online e híbridas.
Avaliação
Como acompanhar a aprendizagem? Vale diversificar instrumentos e incentivar a autoavaliação e a avaliação do processo como um todo.
Estrutura básica de um plano de aula
De forma geral, um plano de aula pode conter:
Identificação da aula
Objetivos educacionais
Conteúdos
Estratégias metodológicas
Recursos didáticos
Critérios e instrumentos de avaliação
Referências

Não é sobre preencher campos, mas sobre ter clareza das escolhas pedagógicas que orientam aquela aula.
Perguntas frequentes sobre plano de aula e plano de ensino (FAQ)
Qual é a diferença entre plano de aula e plano de ensino?
A diferença entre plano de aula e plano de ensino está no nível de planejamento:
Plano de ensino: organiza a disciplina no semestre ou ano (visão macro).
Plano de aula: detalha o que acontece em uma aula específica (visão micro).Ambos se complementam e devem estar alinhados.
Como fazer um plano de aula simples e eficiente?
Para fazer um plano de aula simples e eficiente:
Defina o objetivo de aprendizagem.
Selecione os conteúdos essenciais.
Escolha a metodologia (de preferência ativa).
Liste os recursos didáticos.
Planeje como avaliar a aprendizagem.
Foque no essencial e evite excesso de burocracia.
É possível usar metodologias ativas no plano de aula?
Sim. Para usar metodologias ativas no plano de aula:
Escolha um objetivo claro.
Defina uma estratégia ativa (ex.: estudo de caso, PBL, sala invertida).
Coloque o estudante no centro da atividade.
Utilize avaliação formativa ao longo do processo.Isso aumenta engajamento e aprendizagem significativa.
O plano de aula precisa ser seguido à risca?
Não. O plano de aula deve:
Orientar o professor.
Organizar o tempo e as atividades.
Permitir ajustes conforme o ritmo da turma.Ele é um guia flexível, não um roteiro engessado.
Quer facilitar seu planejamento de aulas?
Quando o professor conta com boas ferramentas, referências claras e modelos flexíveis, o planejamento deixa de ser um peso e passa a ser um aliado da prática pedagógica — ajudando a ensinar melhor e a aprender junto com os estudantes.
Se você chegou até aqui, é porque se importa com o que acontece em sala de aula. E isso, por si só, já diz muito sobre o tipo de professor que você é.
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Referências:
Reis FJC dos, Panúncio-Pinto MP, Vieira MNCM. Planejamento educacional. Medicina (Ribeirão Preto) [Internet]. 3 de novembro de 2014 [citado 10 de outubro de 2022];47(3):280-3. Disponível em: https://www.revistas.usp.br/rmrp/article/view/86616.
Oliveira MSL, et al. Diálogos com docentes sobre ensino remoto e planejamento didático. Recife: EDUFRPE, 2020.
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