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Isadora Souza

Start Educação

O campo de estágio também é sala de aula: técnicas de preceptoria para ensinar melhor

Atualizado: há 9 horas

Tem uma coisa que quase ninguém fala sobre preceptoria, supervisão de estágio ou acompanhamento de estudantes na prática:


Muitos profissionais começam a ensinar sem nunca terem aprendido como ensinar.


De repente, aquele profissional experiente, que domina muito bem sua área de atuação, passa a receber alunos, residentes ou estagiários e percebe que existe uma diferença enorme entre saber fazer e conseguir ajudar outra pessoa a aprender.


E isso costuma vir acompanhado de uma insegurança silenciosa:

“Será que estou conduzindo bem esse estudante? Será que estou ensinando do jeito certo? Será que eu deveria saber mais sobre educação?”

Se você já pensou algo parecido, saiba que isso é muito mais comum do que parece.


Porque o campo de estágio tem um desafio muito particular:ele não foi criado para ser uma sala de aula tradicional.


É um ambiente vivo.

Dinâmico.

Cheio de imprevistos.

Com demandas reais acontecendo ao mesmo tempo em que alguém tenta aprender.


Mas talvez esteja justamente aí a maior potência da preceptoria.


O campo de estágio também é uma sala de aula


Quando pensamos em ensino, muita gente ainda imagina:

  • carteiras enfileiradas;

  • quadro;

  • slides;

  • aula expositiva;

  • alguém falando na frente da turma.


Mas a aprendizagem não acontece apenas nesses espaços formais.


Ela também acontece:

  • no corredor;

  • durante uma reunião;

  • em uma conversa rápida;

  • em uma tomada de decisão;

  • na resolução de um problema inesperado;

  • na observação de alguém experiente trabalhando.


O campo de estágio também é um ambiente educacional.


E talvez uma das coisas mais importantes para um preceptor perceber seja justamente isso:

o estudante aprende o tempo inteiro... inclusive quando ninguém está “dando aula oficialmente”.


Aprende observando.

Aprende perguntando.

Aprende errando.

Aprende ouvindo.

Aprende vendo como o profissional reage diante de situações difíceis.


Por isso, ensinar na prática vai muito além de repassar informações técnicas.


O medo silencioso de muitos preceptores


Existe uma ideia muito comum de que, para ensinar bem, o profissional precisa:

  • dominar metodologias complexas;

  • falar perfeitamente;

  • saber responder tudo;

  • conduzir experiências impecáveis.


Mas, na prática, estudantes raramente esperam um “professor perfeito”.


O que eles mais precisam é de alguém que:

  • os acolha;

  • os ajude a pensar;

  • ofereça direção;

  • explique os porquês;

  • e crie um ambiente seguro para aprender.


Muitas vezes, um estudante não lembra exatamente o conteúdo de uma orientação.Mas lembra:

  • como foi tratado;

  • se teve espaço para perguntar;

  • se sentiu medo de errar;

  • ou se conseguiu desenvolver confiança ao longo da experiência.


E isso muda completamente a aprendizagem.


Adultos aprendem de um jeito diferente


Na maioria dos contextos de estágio, estamos falando de aprendizagem de adultos ou jovens adultos.


E adultos aprendem melhor quando:

  • entendem por que aquilo é importante;

  • conseguem conectar teoria e prática;

  • participam ativamente;

  • sentem autonomia;

  • percebem utilidade real no que estão fazendo.


Por isso, longas explicações descontextualizadas costumam gerar muito menos aprendizagem do que situações reais acompanhadas de reflexão.


Às vezes, uma pergunta bem feita ensina mais do que uma hora inteira de explicação.


Muitas das estratégias usadas em campo de estágio se conectam diretamente às metodologias ativas de aprendizagem, principalmente porque colocam o estudante em situações reais de observação, decisão e prática.




capa com fundo azul claro mamoreado com a descricao melhores tecnicas de ensino para usar em campo de estágio preceptoria


Comunicação também ensina


Uma coisa importante sobre preceptoria:o estudante não aprende apenas com aquilo que o preceptor explica.


Ele aprende observando:

  • a postura;

  • a comunicação;

  • o comportamento;

  • a forma de lidar com pessoas;

  • a maneira como conflitos são conduzidos;

  • e até como o profissional reage diante de pressão.


Na prática, o preceptor também funciona como referência de comportamento profissional.


E isso torna a comunicação uma ferramenta de ensino extremamente poderosa.


Pequenas atitudes fazem diferença:

  • explicar o raciocínio em voz alta;

  • incentivar perguntas;

  • ouvir sem constranger;

  • validar dúvidas;

  • demonstrar curiosidade;

  • reconhecer limitações.


Tudo isso ensina.


Feedback não é bronca


Talvez uma das maiores confusões na preceptoria seja achar que feedback significa apontar erros.


Mas feedback não deveria ser um momento de constrangimento.

E muito menos um “acerto de contas”.


Feedback é orientação.


É ajudar o estudante a perceber:

  • o que funcionou;

  • o que pode melhorar;

  • o que merece atenção;

  • e como evoluir.


Quando o feedback acontece apenas no final do estágio, ele perde grande parte do potencial educativo.


A aprendizagem melhora muito quando existem devolutivas frequentes, pequenas conversas e espaço para reflexão contínua.


Às vezes, uma conversa de cinco minutos logo após uma atividade já transforma completamente a experiência do estudante.


Ensinar também é aprender a observar


Muitos preceptores sentem que precisam “explicar tudo” o tempo inteiro.


Mas uma parte importante da aprendizagem acontece justamente na observação.


Observar como o estudante:

  • se comunica;

  • organiza ideias;

  • reage a situações inesperadas;

  • pede ajuda;

  • toma decisões;

  • ou lida com dificuldades…


Tudo isso ajuda o preceptor a entender melhor como apoiar o desenvolvimento daquele aluno.


E talvez essa seja uma das grandes diferenças entre supervisionar e ensinar.


Quem apenas supervisiona verifica tarefas.Quem ensina tenta compreender processos.


Bons preceptores também refletem sobre sua prática


Talvez uma das características mais importantes de um bom preceptor não seja “saber tudo”.


Mas continuar refletindo sobre:

  • a própria prática;

  • a própria comunicação;

  • a própria forma de ensinar.


Porque ensinar em ambientes reais exige adaptação o tempo inteiro.


Cada estudante aprende de um jeito.

Cada contexto traz desafios diferentes.

Cada experiência prática gera novas perguntas.


E tudo bem não ter respostas perfeitas para todas elas.


A preceptoria não precisa ser perfeita para ser potente.


O estudante pode esquecer o que você explicou. Mas dificilmente esquecerá como aprendeu com você.


No fim das contas, muitos estudantes talvez não lembrem exatamente:

  • de cada orientação;

  • de cada conteúdo;

  • ou de cada técnica apresentada durante o estágio.


Mas provavelmente lembrarão:

  • se tiveram espaço para aprender;

  • se puderam perguntar sem medo;

  • se foram acolhidos;

  • se alguém acreditou no potencial deles;

  • e se conseguiram construir confiança durante a prática.


Porque experiências de aprendizagem marcantes raramente acontecem apenas pela transmissão de conteúdo.


Elas acontecem nas relações.


Se você quer conhecer estratégias mais práticas para acompanhar estudantes, oferecer feedback e transformar experiências do estágio em aprendizagem real, preparamos também um guia com técnicas de preceptoria que podem ser aplicadas no dia a dia.


Veja técnicas práticas de preceptoria para usar no campo de estágio.


Perguntas frequentes sobre preceptoria


O que é preceptoria?

A preceptoria é uma estratégia de ensino em que um profissional experiente acompanha estudantes ou residentes durante atividades práticas, ajudando no desenvolvimento de competências profissionais no contexto real de trabalho.


O campo de estágio pode ser considerado uma sala de aula?

Sim. O campo de estágio também é um ambiente de aprendizagem, porque é nele que o estudante desenvolve conhecimentos, habilidades, atitudes e tomada de decisão em situações reais.


Como ser um bom preceptor?

Um bom preceptor não precisa ser “perfeito”. O mais importante é criar um ambiente seguro para aprendizagem, oferecer orientação, estimular reflexão e acompanhar o desenvolvimento do estudante com empatia e clareza.


Qual a diferença entre supervisionar e ensinar?

Supervisionar está mais relacionado ao acompanhamento de tarefas e responsabilidades. Já ensinar envolve ajudar o estudante a compreender processos, desenvolver raciocínio e construir autonomia profissional.


O estudante aprende apenas quando está praticando?

Não. O estudante também aprende observando comportamentos, formas de comunicação, tomada de decisão, organização e postura profissional durante a rotina prática.


Continue essa conversa com a gente.

A educação também acontece nos corredores, nas trocas, nos erros, nas perguntas e nas experiências reais.

Se você gosta de refletir sobre aprendizagem, metodologias ativas, planejamento e ensino na prática, explore outros conteúdos do blog da Start Educação.


imagem na horizontal com fundo preto letras verdes e uma foto de perfil da Isadora Souza descricao explore outros artigo blog da start educacao

Referências e Saiba mais:


A Clinical Teaching Technique for Nurse Preceptors: The Five Minute Preceptor


Vídeo “Preceptoria em um minuto (The One Minute Preceptor)”

https://www.youtube.com/watch?v=t30nUrbXV1Q (THE ONE, 2020)


CARVALHO, J. A. D., CARVALHO, M. D., BARRETO, N. A. M., & ALVES, F. A. (2010). Andragogia: Considerações sobre a aprendizagem do adulto. Ensino, Saude E Ambiente, 3(1). https://doi.org/10.22409/resa2010.v3i1.a21105


 
 
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